Hoje, 10 de setembro, é um dia calmo, um sábado como tantos outros. Acordo, tomo café da manhã e me preparo para o fim de semana, sem pressa. Sem frio na barriga. Sem correria. Sem expectativa. Sem medo de fracassar. Há dois anos esse é o primeiro sábado pós-feriado Sete de Setembro que eu posso dedicar inteiramente a mim e à minha família, ao livro por terminar, às horas de descanso, ao que eu bem quiser. Por que, então, a sensação de vazio?
Porque há dois anos esse mesmo sábado foi preenchido por um sonho. Um sonho que começou como todos começam: sendo sonhado. E que depois, aos poucos e com muita vontade, passou a ser realidade. Um sonho que escolhemos chamar de Festival Música do Mundo, justamente porque sonhar não tem limites e acreditávamos que poderíamos voar alto e fazer de Três Pontas, por um momento, o mundo.
Infelizmente, não conseguimos realizar a terceira edição do Festival conforme o sonhado – e planejado. Fizemos de tudo. Visitamos, de porta em porta, empresas e instituições apresentando todos os benefícios. Não adiantou mostrar que o Festival Música do Mundo proporciona intercâmbio entre músicos de todo o Brasil, entre artistas consagrados e iniciantes, nem que promove o artesanato e a cultura popular, como as Folias de Reis, as corporações musicais, entre outros, nem que estimula a reflexão com bate-papos, cinema, exposição e atividade com cerca de 14 mil alunos da rede de ensino da cidade, nem que promove a inclusão social e a capacitação ao realizar oficinas para a Associação de Catadores de Material Reciclável, os alunos do CRAS II e da APAE, e nem que gera renda extra para vários segmentos da população. Quantas pessoas não alugaram suas casas? Artesãos que não venderam seus produtos? Comerciantes que não tiveram seu comércio incrementado? Profissionais que não tiveram postos de trabalho temporário, direta ou indiretamente? Sem falar no benefício principal, que é a fomentação da cultura. Não, não adiantou. Ainda é muito difícil conseguir apoio quando os benefícios são sociais e não, particulares. Mas, não é impossível. Sempre há quem apóie. Esse ano, infelizmente, não conseguimos a tempo.
O Festival, para nós da equipe de produção - à qual agradeço imensamente, por tudo - é mais que um sonho. É uma paixão. Dedicamos o nosso tempo e os nossos esforços porque acreditamos que é uma sementinha para um futuro – e um presente - melhor. Porque acreditamos que a cultura pode, sim, ser um instrumento capaz de uma transformação social. Acreditamos que vale à pena. E acreditamos que há quem acredite nas mesmas coisas que nós.
O Festival, para nós da equipe de produção - à qual agradeço imensamente, por tudo - é mais que um sonho. É uma paixão. Dedicamos o nosso tempo e os nossos esforços porque acreditamos que é uma sementinha para um futuro – e um presente - melhor. Porque acreditamos que a cultura pode, sim, ser um instrumento capaz de uma transformação social. Acreditamos que vale à pena. E acreditamos que há quem acredite nas mesmas coisas que nós.
Portanto, quero assumir publicamente o compromisso de não desistir, por maiores que sejam os obstáculos e menores que sejam as expectativas. Quando fazemos algo porque acreditamos, não esperamos reconhecimento nem gratidão. Fazemos porque é o que diz o nosso sentimento e a nossa consciência. Fazemos porque deve ser feito. E será.
Maria Dolores, Felipe Duarte e equipe Marolo Produções
Maria Dolores, Felipe Duarte e equipe Marolo Produções
